sábado, fevereiro 18, 2006

...

Hoje de tarde, sentei com as meninas e conversei com elas. Quase uma hora. Amanhã, fecho minha casa e vou morar no apartamento da minha mãe. Tirando meus aparelhos de ginástica, ele está vazio. Eu vou dormir no chão, e as meninas vão ficar nos colchonetes que elas usavam na escola. Elas encararam numa boa, e me surpreendi que, em vez de reclamarem por não terem televisão lá, se angustiaram com o destino dos cachorros.
Quando me separei há dois anos, uma das coisas que meu ex-marido disse é que eu nunca seria nada sem ele, que eu não conseguiria sobreviver. Ele tinha razão. Não consegui. Briguei durante dois anos da melhor maneira que pude, senti-me orgulhosa a maioria das vezes. Mas agora eu tenho menos de vinte reais na carteira, uma despensa vazia e meu nome a caminho do SPC. Tentei manter as contas em dia, mas as próximas vencem na segunda-feira e eu não terei como pagar. Nem agora nem tão cedo.
As meninas estão me ajudando. Cada uma escolheu alguns brinquedos para levar e uma boneca, cada uma. Depois da escola, virei aqui alimentar os cachorros e lavar o terraço e o pátio deles.
Não sei como vou levar o computador, porque vou tentar ir de ônibus com as bolsas e a mala delas. Assim, talvez eu fique um tempo sem vir aqui, a não ser para mandar a lista dos livros.
A todos os que me mandaram palavras de incentivo, carinho, o meu muito obrigado. Mesmo.