Tempo, não tenho mais tempo. Tempo de sentar e escrever, pensar, lembrar das coisas, registrar o momento em que, no vagão hiperlotado do metrô, um idoso se levantou e cedeu seu lugar para outro idoso, mais velho do que ele. E marmanjos/gatas/adolescentes permaneceram lendo/fingindo que estavam dormindo/olhando por nada à frente. Olhos rasos d'água. Vontade de dar uns berros e pagar de maluca. Mas achei que o resto do pessoal em pé, tão indignado quanto eu, não merecia. Não com esse calor, às seis da tarde. Calei-me e saltei.
O dia voa - não corre desde o segundo dia de trabalho, quando deixei de ser novidade e todo mundo concentrou-se em fechar os livros a seu cargo antes das férias coletivas, dia 14. E vou descobrindo novos desafios. E vejo como as pessoas brigam até a morte pelo seu status quo - mesmo que isso signifique sobrecarregar o restante do povo. O povo que se dane, ora bolas.
Meu chefe é um fofo. Pernambucano, gordinho, engenheiro-professor, meia-idade. Aliás, esse é o nome dele: "Professor". Todo mundo o chama assim. E como ele engana. Quando você é apresentado a ele, à barriga dele, ao sotaque dele, àquelas roupas um tanto ultrapassadas e fora de moda, àqueles óculos tão antiguinhos, você acha que ele é um simplório que faz o que o ensinaram e só. Mas aí ele abre a boca. E você olha lá dentro e vê quão profundo é aquele poço, quão vasto pode ser todo aquele conhecimento. Porque ele é o chefe ideal. Não diz "não" de primeira. "Quais os seus argumentos? O que você tem aí que possa me convencer?"
O que ele não sabe corre atrás. Há, na sala dele, livros de editoração. Manuais de redação e estilo. Bíblias em todos os níveis de engenharia. Coleções do que há de mais moderno no mundo - ontem perguntei a ele o que era a "Teoria da Promessa", expressão que apareceu na biografia de um dos autores. É uma teoria sobre organização em ciência da computação lançada no meio acadêmico em 2004. Nunca ele ouvira falar disso. Em uma hora e meia, já podia dar uma aula sobre o assunto.
Então. O material que eu produzo sobre os livros tenho que mandar para a matriz em São Paulo. "Não podemos ter uma área de FTP para isso?" "Você acha que é melhor? Explica porquê." E eu expliquei: vira um banco de dados acessível a quem precisa, não sobrecarrega o sistema de e-mail etc e tal.
Ele mandou mensagem falando com a criatura do departamento de marketing em São Paulo (pra quem eu mando os textos/capas/relatórios). E ela respondeu "Pra que área de FTP? Todo mundo me manda por e-mail. Pra que essa invenção?" E aí o cara do CPD respondeu "Porque cada vez que alguém manda um texto anexado ele dobra de tamanho e dezenas de e-emails com anexos entopem e congestionam o sistema, além de ocuparem espaço de armazenamento duplicado, às vezes triplicado."
Silêncio. E no fim da tarde lá vem de São Paulo um "ok" seco. E eu vi sorriso imenso na cara do meu chefe. E, mais tarde, outro mais caloroso na cara do chefe dele - o dono da editora. E, com esse sorriso, o convite para estar na reunião com o representante de uma editora inglesa que chega no Rio na segunda.
Mas, sabe? Numa parte do dia eu me sinto muito bem - valorizada. Já recebi dois convites para jantar. As meninas estão, dentro do possível, felizes. Eu boto minhas lentes, uma roupa bonita, passo batom e rímel, troco de brincos todos os dias e não prendo mais os cabelos. Mas à noite, quando tudo é silêncio, eu choro. Porque eu ainda tenho medo daquilo depois do muro. Os cachorros nunca mais subiram a escada ou ficaram no terraço - lugares onde ela adorava deitar para tomar o sol da manhã e do fim da tarde. Catatau desenvolveu psoríase nos dois pés. Zé Colméia briga, fala, resmunga a noite inteira num sono inquieto. E eu simplesmente quase não durmo. Três, quatro horas no máximo cada noite. Saio de casa com o coração nas mãos. Volto com ele preso na garganta.
Sempre com a esperança que isso, um dia, vai passar.
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
Quarta-feira, Novembro 18, 2009
Mea culpa
Por algumas poucas semanas, eu tive um amigo que me ligava para falar um monte de abobrinhas. Um dia pedi, de maneira carinhosa e sutil como um caminhão de feira descendo sem freios uma ladeira, que ele falasse coisas sérias, também. Eu não dei valor às abobrinhas. Ao contrário daquelas que a gente pica e entope de tempero, abobrinhas na comunicação são saborosas por si só. Necessárias, até.
Eu ria muito. Atendia o telefone sorrindo, desligava mais leve. Hoje, ele não me liga mais. E eu sinto uma falta abissal dele e das abobrinhas que ele falava.
Tinha razão, meu amigo. Você pode me perdoar?
Eu ria muito. Atendia o telefone sorrindo, desligava mais leve. Hoje, ele não me liga mais. E eu sinto uma falta abissal dele e das abobrinhas que ele falava.
Tinha razão, meu amigo. Você pode me perdoar?
Sábado, Novembro 14, 2009
...
Apresentei queixa-crime. Minha advogada vai entrar com ação de responsabilidade civil (ou coisa que o valha).
Hoje vou ver uma casa pra alugar, em Santa Teresa - mas lá no alto. No meio do mato.
Hoje fez uma semana. Não fez diferença nenhuma.
Trabalho casa, casa trabalho.
E só.
Hoje vou ver uma casa pra alugar, em Santa Teresa - mas lá no alto. No meio do mato.
Hoje fez uma semana. Não fez diferença nenhuma.
Trabalho casa, casa trabalho.
E só.
Quarta-feira, Novembro 11, 2009
...
Eu sempre me lembro de você, meu amigo. Até porque queria saber a receita, o remédio, a maneira, o truque, o pulo-do-gato, o segredo, o macete, a chave tão bem guardada para fazer com que pare de doer. Um dia.
Porque eu poderia tê-la levado mais cedo no veterinário. Podia ter cedido ao vizinho. Ou não ter me ausentado de casa no fim de semana. Podia ter prestado mais atenção e visto que era muito mais sério do que eu pensava. Não deveria ter tentado resolver sozinha. Não deveria ter postergado. Não deveria ter esperado.
Não devia.
Às 13h30m o rapaz do crematório passou na clínica. "A senhora pode deixar que eu vou cuidar bem dela." "Eu vou junto." "Mas ela vai ser cremada com outros animais - por que a senhora não se despede aqui?" "Eu quero cremação individual. E eu vou junto." Ela foi dentro de um saco de lixo, preto. Havia outros dois animais na traseira do carro - um deles ainda na gaiolinha. Ilha de Guaratiba. Chegamos lá perto das 16h. Um calor infernal. Não vi quando a levaram. Eu sei que foi covardia, mas me escondi do outro lado do carro.
O lugar é pequeno, mas bonitinho. Algumas sepulturas de cães e gatos. Branquinha, Fofocão, Suling, Mimi, Thor. "O rapaz está ajeitando tudo, e quando estiver preparado ele vai chamar pra senhora se despedir dela." E eu fiquei andando pelo jardim. E ouvi o crematório a todo vapor. Ele não me chamou. Eu estava criando coragem para dar um beijo nela, coragem pra não me assustar de tocar o pelo gelado.
Nada. Duas horas depois, eu toda suada e picada de mosquitos, ouvi quando ele desligou o fogo e começou a quebrar as cinzas. Batia tentando não fazer tanto barulho, mas era como se marretasse alguma coisa. E eu ouvia as pedras se quebrando. Minha cadela branca e dourada, sempre tão macia e morna, agora era cinza dura e incandescente. "Já está pronto." A urna era de MDF, sem pintura. "A pintada custa mais caro." Escolhi uma, ajeitei o saco plástico com laço verde dentro da caixinha. Saí, peguei uma kombi caindo aos pedaços até a estrada principal. Eram seis da tarde, e armava-se um temporal. Dali peguei um ônibus até a Barra, a caixinha fazendo marca no colo porque, sabe, eu não queria chorar. E o seco dentro do peito era mais doloroso do que qualquer outra coisa.
Desci na Barra às 20h. Mais calor. Peguei o ônibus do metrô - e lembrei que não havia mais ração em casa. Tinha esquecido de encomendar. Às 22h, saltei no Largo do Machado e entrei no supermercado. A caixinha ajeitada dentro do carrinho de compras. Saí com minha cadela querida há oito anos arrumada numa sacola de plástico.
Perto das dez horas, cheguei em casa. Dei comida aos cachorros. Silêncio na casa do vizinho. Estava sem água em casa. Mas não teve importância porque, como em toda situação-clichê, a que saiu de dentro de mim madrugada adentro me bastou. Pelo menos, naquele momento.
No domingo, peguei as meninas na casa da coleguinha - a mãe, sabendo da situação, pegou as duas e levou-as para a casa dela. Saímos para almoçar. Passeamos. De noitinha, trouxe-as para o apartamento dos meus pais e contei a verdade. E elas choraram. "Mãe, posso falar palavrão? Por favor, mãe." E desfiaram os três palavrões que elas sabem vezes sem conta. "Mamãe, está doendo tanto aqui dentro. Por que dói tanto?" A morte deixou de ser filme de pou-pou, como Zé Colméia diz, e deslizou para dentro da realidade das duas.
Elas ainda choram durante o dia. Eu choro. Os cachorros não entendem como deixei um estranho entrar e levar embora a companheira dos dois. Ficam nervosos quando eu saio. Ainda esperam que ela volte.
Eu também.
Porque eu poderia tê-la levado mais cedo no veterinário. Podia ter cedido ao vizinho. Ou não ter me ausentado de casa no fim de semana. Podia ter prestado mais atenção e visto que era muito mais sério do que eu pensava. Não deveria ter tentado resolver sozinha. Não deveria ter postergado. Não deveria ter esperado.
Não devia.
Às 13h30m o rapaz do crematório passou na clínica. "A senhora pode deixar que eu vou cuidar bem dela." "Eu vou junto." "Mas ela vai ser cremada com outros animais - por que a senhora não se despede aqui?" "Eu quero cremação individual. E eu vou junto." Ela foi dentro de um saco de lixo, preto. Havia outros dois animais na traseira do carro - um deles ainda na gaiolinha. Ilha de Guaratiba. Chegamos lá perto das 16h. Um calor infernal. Não vi quando a levaram. Eu sei que foi covardia, mas me escondi do outro lado do carro.
O lugar é pequeno, mas bonitinho. Algumas sepulturas de cães e gatos. Branquinha, Fofocão, Suling, Mimi, Thor. "O rapaz está ajeitando tudo, e quando estiver preparado ele vai chamar pra senhora se despedir dela." E eu fiquei andando pelo jardim. E ouvi o crematório a todo vapor. Ele não me chamou. Eu estava criando coragem para dar um beijo nela, coragem pra não me assustar de tocar o pelo gelado.
Nada. Duas horas depois, eu toda suada e picada de mosquitos, ouvi quando ele desligou o fogo e começou a quebrar as cinzas. Batia tentando não fazer tanto barulho, mas era como se marretasse alguma coisa. E eu ouvia as pedras se quebrando. Minha cadela branca e dourada, sempre tão macia e morna, agora era cinza dura e incandescente. "Já está pronto." A urna era de MDF, sem pintura. "A pintada custa mais caro." Escolhi uma, ajeitei o saco plástico com laço verde dentro da caixinha. Saí, peguei uma kombi caindo aos pedaços até a estrada principal. Eram seis da tarde, e armava-se um temporal. Dali peguei um ônibus até a Barra, a caixinha fazendo marca no colo porque, sabe, eu não queria chorar. E o seco dentro do peito era mais doloroso do que qualquer outra coisa.
Desci na Barra às 20h. Mais calor. Peguei o ônibus do metrô - e lembrei que não havia mais ração em casa. Tinha esquecido de encomendar. Às 22h, saltei no Largo do Machado e entrei no supermercado. A caixinha ajeitada dentro do carrinho de compras. Saí com minha cadela querida há oito anos arrumada numa sacola de plástico.
Perto das dez horas, cheguei em casa. Dei comida aos cachorros. Silêncio na casa do vizinho. Estava sem água em casa. Mas não teve importância porque, como em toda situação-clichê, a que saiu de dentro de mim madrugada adentro me bastou. Pelo menos, naquele momento.
No domingo, peguei as meninas na casa da coleguinha - a mãe, sabendo da situação, pegou as duas e levou-as para a casa dela. Saímos para almoçar. Passeamos. De noitinha, trouxe-as para o apartamento dos meus pais e contei a verdade. E elas choraram. "Mãe, posso falar palavrão? Por favor, mãe." E desfiaram os três palavrões que elas sabem vezes sem conta. "Mamãe, está doendo tanto aqui dentro. Por que dói tanto?" A morte deixou de ser filme de pou-pou, como Zé Colméia diz, e deslizou para dentro da realidade das duas.
Elas ainda choram durante o dia. Eu choro. Os cachorros não entendem como deixei um estranho entrar e levar embora a companheira dos dois. Ficam nervosos quando eu saio. Ainda esperam que ela volte.
Eu também.
Sábado, Novembro 07, 2009
...
Minha cadela morreu esta manhã, às 8h46m, de falência renal e insuficiência cardíaca.
Meu vizinho fez um BO contra mim por calúnia e difamação.
Há muito, muito tempo não me sentia tão sozinha, desamparada e perdida como agora.
Meu vizinho fez um BO contra mim por calúnia e difamação.
Há muito, muito tempo não me sentia tão sozinha, desamparada e perdida como agora.
Sexta-feira, Novembro 06, 2009
Uptade
Atualizando o povo:
Minha cadela está muito melhor, depois de ter passado os últimos dias no soro. Foram seis bolsas, e hoje ela conseguiu comer um pouquinho. Os rins foram para o beleléu, mas a veterinária disse que é questão de tempo eles se recuperarem. Ela deve ir pra casa amanhã.
Em contrapartida, a R$ 150 o dia de ambulatório, mas R$ 60 de consulta, mais R$ 60 de transporte mais remédios... Fazendo as contas... E vão dois... E tira quatro...
Segundo dia sem água. Dormimos no apartamento dos meus pais. Com o calor, nem peguei roupa, porque no apartamento eu estava guardando um vestido preto (jamais usado). Surpresa: o decote é gigantesco. Abissal. E eu tinha reunião com o dono da editora. Então, na hora do almoço, tropecei (literalmente) com uma jovenzinha peruana vendendo uns xales na calçada da Rua da Quitanda. R$ 13. Foi o que evitou que eu literalmente derramasse meus peitos sobre a mesa de reunião. Porque você sabe, quero vencer na empresa usando talento e inteligência.
Minha cadela está muito melhor, depois de ter passado os últimos dias no soro. Foram seis bolsas, e hoje ela conseguiu comer um pouquinho. Os rins foram para o beleléu, mas a veterinária disse que é questão de tempo eles se recuperarem. Ela deve ir pra casa amanhã.
Em contrapartida, a R$ 150 o dia de ambulatório, mas R$ 60 de consulta, mais R$ 60 de transporte mais remédios... Fazendo as contas... E vão dois... E tira quatro...
Segundo dia sem água. Dormimos no apartamento dos meus pais. Com o calor, nem peguei roupa, porque no apartamento eu estava guardando um vestido preto (jamais usado). Surpresa: o decote é gigantesco. Abissal. E eu tinha reunião com o dono da editora. Então, na hora do almoço, tropecei (literalmente) com uma jovenzinha peruana vendendo uns xales na calçada da Rua da Quitanda. R$ 13. Foi o que evitou que eu literalmente derramasse meus peitos sobre a mesa de reunião. Porque você sabe, quero vencer na empresa usando talento e inteligência.
Quinta-feira, Novembro 05, 2009
...
Pra quem acha que eu exagero:
Na terça-feira, primeiro dia de trabalho, saí de casa com um dos cachorros mal se aguentando em pé. O que eu achei que era só mal estar por causa do calor começou a piorar de tal maneira que passei o dia (repetindo: primeiro dia de trabalho) tentando achar o veterinário. Nada.
À noite, o bicho estava lá em cima no terraço, no meio das bananeiras. Achei que estava morto. Nem levantava a cabeça. Desci com o dito nos braços (+ ou - 30 quilos) uns 40 degraus. Evacuava sangue, o pobrezinho. Passei a noite dando soro caseiro. Ontem, desci com ela (é a boxer) e onde eu a deixei encontrei-a no fim do dia, já com o ajudante de uma veterinária que tem um carro/ambulância. Toca com a pobre pro Flamengo, onde ela rapidamente entrou no soro glicosado, antibioticado & outros ados. Diagnóstico: envenenamento. Um doce pra adivinhar quem foi.
Nesse meio tempo, o pai das meninas me liga (17h45m; elas saem às 18h30m) dizendo que, infelizmente, ele está resfriadinho e não vai poder pegá-las na escola. Então eu ligo para uma alma caridosa para buscá-las. Saí da clínica veterinária às oito e meia da noite cansada, vomitada, cagada e suada. Peguei as meninas e fui pra casa. Surpresa! Não tinha água. Tomamos as três banho de água mineral que eu tinha estocado. Uma garrafa de 1,5 litro para cada uma.
Plano B rules, ever.
Na terça-feira, primeiro dia de trabalho, saí de casa com um dos cachorros mal se aguentando em pé. O que eu achei que era só mal estar por causa do calor começou a piorar de tal maneira que passei o dia (repetindo: primeiro dia de trabalho) tentando achar o veterinário. Nada.
À noite, o bicho estava lá em cima no terraço, no meio das bananeiras. Achei que estava morto. Nem levantava a cabeça. Desci com o dito nos braços (+ ou - 30 quilos) uns 40 degraus. Evacuava sangue, o pobrezinho. Passei a noite dando soro caseiro. Ontem, desci com ela (é a boxer) e onde eu a deixei encontrei-a no fim do dia, já com o ajudante de uma veterinária que tem um carro/ambulância. Toca com a pobre pro Flamengo, onde ela rapidamente entrou no soro glicosado, antibioticado & outros ados. Diagnóstico: envenenamento. Um doce pra adivinhar quem foi.
Nesse meio tempo, o pai das meninas me liga (17h45m; elas saem às 18h30m) dizendo que, infelizmente, ele está resfriadinho e não vai poder pegá-las na escola. Então eu ligo para uma alma caridosa para buscá-las. Saí da clínica veterinária às oito e meia da noite cansada, vomitada, cagada e suada. Peguei as meninas e fui pra casa. Surpresa! Não tinha água. Tomamos as três banho de água mineral que eu tinha estocado. Uma garrafa de 1,5 litro para cada uma.
Plano B rules, ever.
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